domingo, outubro 14, 2012
Cinco Breves Momentos de maio, Alice Vieira
segunda-feira, dezembro 19, 2011
" O meu Natal!" - Jorge Monteiro
Como não sei pôr as palavras em forma de poema, para expressar o que me vai cá dentro, por vezes encontro esses feelings nas palavras dos outros e gosto de colocar aqui.
"Já não ponho o meu sapato à chaminé,já não tenho um pai natal em que acredite,
foi-se o tempo de brincar às escondidas com os pais,
e ouvir cantigas de embalar...e eu sonhava!
Já não tenho o meu Jesus que me visite
pois o tempo não permite regressar ao que eu amava!
num castelo de saudade,em pequenito
trazia brinquedos e sorrisos
num saco que eu julgava infinito!
ainda ontem eram outras as pessoas,
esse dia vinte e quatro me enternece
faz lembrar essas coisas muito boas,
que a gente mesmo em velhos nunca esquece!..."
sexta-feira, setembro 24, 2010
Devia morrer-se de outra maneira
José Gomes Ferreira
Devia morrer-se de outra maneira.
Transformarmo-nos em fumo, por exemplo.
Ou em nuvens.
Quando nos sentíssemos cansados, fartos do mesmo sol
a fingir de novo todas as manhãs, convocaríamos
os amigos mais íntimos com um cartão de convite
para o ritual do Grande Desfazer: "Fulano de tal comunica
a V. Exa. que vai transformar-se em nuvem hoje
às 9 horas. Traje de passeio".
E então, solenemente, com passos de reter tempo, fatos
escuros, olhos de lua de cerimônia, viríamos todos assistir
a despedida.
Apertos de mãos quentes. Ternura de calafrio.
"Adeus! Adeus!"
E, pouco a pouco, devagarinho, sem sofrimento,
numa lassidão de arrancar raízes...
(primeiro, os olhos... em seguida, os lábios... depois os cabelos... )
a carne, em vez de apodrecer, começaria a transfigurar-se
em fumo... tão leve... tão sutil... tão pòlen...
como aquela nuvem além (vêem?) — nesta tarde de outono
ainda tocada por um vento de lábios azuis...
quarta-feira, abril 21, 2010
Lágrimas Ocultas
Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida…
E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!
E fico, pensativa, olhando o vago…
Tomo a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim…
E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!
domingo, março 21, 2010
Dia Mundial da Poesia
segunda-feira, março 08, 2010
Um belíssimo Cordel para homenagear o Dia Internacional da Mulher
Como não podia deixar e ser, o Gilbamar fez um poema dedicando-o, não só à sua mulher (a quem deve dedicar todos os poemas que escreve…), mas à MULHER , no sentido lato da palavra.
Será um poema diferente, original. de um dos amigos “de longa data”, ou seja, desde o início deste meu blog.
Obrigada, Gilbamar!
“Não posso definir o tudo 
não devo conceituar a flor
não tento explicar o sorrir
não entendo muito de dor
mas esse conjunto requer
as doces forças da mulher
na forma compacta do amor
Porque mulher é essa junção
de um paraíso com o céu
contudo ao mesmo tempo
sofre as agruras do fel
e mesmo sendo carinhosa
gentil, nobre, amorosa
recebe o amargo e dá o mel
Esse amargor de que falo
é tão inerente ao seu viver
já lhe nasce no coração
é bem intrínseco ao seu ser
de ser boa e altruísta
tal criatura benquista
mas que nasceu para sofrer
Não amarga as horas a mãe
aflita, o filho demora,
e fica em sua cabeceira
se doente e quando chora
não é seu corpo alimento
quando do aleitamento
dia e noite, a qualquer hora?
Carrega a vida no ventre
durante quase um ano
quantas são as consequências!
seu corpo se transformando
mil exames para fazer
só o que importa é o seu bebê
não quer nele desengano
Impossível imaginar
ao homem não é dado isso
quais são as dores do parto
e esse forte compromisso
da mulher com o nascimento
mesmo que trilhe tormento
troca a dor pelo sorriso
Assim o tudo não defino
a flor não devo conceituar
o sorrir explicar não tento
sobre dor não quero falar
pois não entendo de nada
somente à mulher foi dada
a graça do amor no olhar
Também nos gestos, nos atos
na sua maneira de ser
pois a mulher, esse fascínio,
veio ao mundo embevecer
do céu anjo enviado
foi o homem abençoado
com a dádiva de a conhecer
Um dia só não lhe basta
todos os dias merece
oito de março, tão pouco
ela tudo oferece
são dela todos os dias
em noites quentes ou frias
sorrindo nos embevece
Parabéns lindas mulheres
para vocês meu respeito
com devoção meu afeto
desculpe os meus defeitos
queria homenagear
mas, tímido, não sei falar
pobre poeta sem jeito.”
(Trazido daqui…)
quarta-feira, dezembro 23, 2009
Vem aí o Natal
Vem aí o Natal

Já sei o que vou fazer:
E ao papá oferecer…
Um colar todo em massinhas
Ficará bem à mamã
Um boneco em plasticina
Eu darei à minha irmã.
Depois irei acabar
A prenda do meu irmão,
Um barco feito de noz
Com a vela em papelão!
O Natal está a chegar…
Vou ter cá um trabalhão
Ainda por cima não sei
O que vou dar ao meu cão!
terça-feira, setembro 08, 2009
Angústia, de Gilbamar
ico, perdido, tão característico, um jeito abertamente triste de mostrar sua dor de maneira a ser visível para todos. A angústia é como um lento torniquete estrangulador.A vontade irremediável, desse ponto em diante, e isso está evidente nos olhos murchos do angustiado, que se vê como perdido nalgum lugar vazio e solitário do deserto emotivo, é chorar copiosamente, cabisbaixo, mãos na cabeça, olhos fechados, por qualquer razão, plausível ou não, deixando as lágrimas afogar esse instante que corrói a alma e provoca irremediáveis contornos de depressão. Uma palavra amiga repentina agora, tão bem vinda como uma tábua de salvação no mar revolto e de ondas violentas, certamente vai contribuir para o incremento do choro, fazendo-o convulso como são os decorrentes das grandes amarguras capazes de atormentar profusamente. Se ao murmurar dessa voz confortadora seguir a suavidade da mão gentil sobre o ombro ou um abraço animador precedido do sorriso estimulante, seguramente haverá soluços intermitentes à guisa de desabafo profundo. Porque nenhum ser humano tem condições de sufocar a torrente de lágrimas quando alguém se aproxima para, com seu carinhoso jeito de ternura e amizade, amenizar o ímpeto frenético da angústia instalada.
O arroubo de chorar acalma as batidas aceleradas do coração, diminui o tamanho do bolo que incha o estômago, que logo vai perdendo seu furor, os olhos voltam a apresentar a pouco e pouco o brilho desaparecido e já se vê alguns traços de sorriso avultando no rosto, que recupera resquícios do rubor anteriormente escondido no recôndito da melancolia. E assim como, com suas garras titânicas à guisa de tenazes, a angústia se assenhorou de alguém por razões diversas, o desabafo aliado à doce palavra amiga e mais o abraço reconfortante, ela por vezes se vai e o alívio retorna triunfante. A angústia magoa, fere, dói. Mas depois que escoa bordas do coração afora e tudo volta a funcionar a contento, a alegria se reinstala e logo, imponente lidera e tranquiliza." (in, Gilbamar - poesias e crônicas)
quinta-feira, julho 09, 2009
terça-feira, novembro 25, 2008
Dia Internacional para a Eliminação da Violência sobre a Mulher

"Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os “is” em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um feito muito maior que o simples fato de respirar. Somente a ardente paciência fará com que conquistemos uma esplêndida felicidade."
E poder-se-ia acrescentar o que foi escrito num dos comentários...
segunda-feira, novembro 24, 2008
Dia Nacional da Cultura Cientifica
Poema para Galileo, por Rómulo de Carvalho
Hoje é o Dia Nacional da Cultura Cientifica e seria o dia do aniversário de Rómulo de Carvalho, se ainda fosse vivo (1906 - 1997).
Quem não conhece António Gedeão e o seu famoso poema Lágrima de Preta, lido nas aulas de Português?
Lágrima de Preta
Encontrei uma preta
que estava a chorar
pedi-lhe uma lágrima para analisar.
Com todo o cuidado
Num tubo de ensaio
Bem esterilizado.
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.
Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.
Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:
nem sinais de negro
nem vestígios de ódio,
água (quase tudo)
e cloreto de sódio.
Lágrima de Preta (espero que tenham paciência para não desistir logo na 1ª paragem)
quarta-feira, novembro 19, 2008
Poesia Poliglota
is talking avec le coeur...
Se no hablan the same idioma...
Ça suffis parlare con le mani...
Para se amar really, really,
chi bisogna seulement
que se tenga much love nel cuore...
nadica de nada...
les bouches sont grudadinhas...
The kiss c'est vraiment
internazionale... nada se habla...
Donc, it's not necessaire
se cappire las cosas que pensamos...
Doppo, cuando esteamos in the bedroom,
sur le lit d'amore... Falar prá que?
Chi bisogne just action...
Se trabaja avec the hands,
perche perdre temps hablando...
Facciamo l'amore... is the best...
D'accord my honey?
Entonces, mi amorcito, my love,
mio amore, ma douce cherie,
vamos botá prá quebrá...Ok?
Marcial Salaverry











