sexta-feira, dezembro 24, 2010
segunda-feira, dezembro 20, 2010
A Felicidade
“ A Felicidade é a estação intermédia entre a carência e o excesso.”
Quem viu a Grande Reportagem da Sic, ontem, após o Telejornal, sobre uma família de portugueses na Noruega, sabe o que esta frase quer dizer.
Também é certo que não é preciso viver na Noruega para que essa frase faça sentido, mas, infelizmente, cada vez mais, este pensamento se afasta do pensamento das pessoas. Comprar mais e melhor do que o vizinho tem, parece ser o lema de muita gente.
Ver imagens sobre a Noruega, como sempre acontece quando as reportagens incidem sobre algum local onde já estive, fez-me “voltar” àquelas terras longínquas e de que eu tanto gostei. E lá vieram as recordações e lá voltaram as milhentas fotografias…
Mesmo para quem gosta de viajar, como eu gosto, há sempre os locais fa
voritos e as terras norueguesas fazem parte da minha lista: os amigos, os fiordes, as paisagens, o sol da meia-noite, a aurora boreal, as casinhas típicas, pintadas de vermelho, a simplicidade da vida vivida por alguém que tem tudo o que precisa e que, nos fins-de-semana, ajuda o vizinho a melhorar a cozinha ou a casa-de-banho, ou que, muito simplesmente, partilha a preparação da festa do casamento da filha do vizinho, no barracão comunitário (também construído por todos).
Imagine-se o que é fazer um churrasco na neve… vestidos com kispos bem quentes.
Imagine-se o que é uma colorida marinada onde estão mergulhadas postas de
salmão, que, só de olhar para elas, nos fazem crescer água na boca…
Imagine-se o que é andar na rua, às duas da manhã, com a luz do dia…
Só não gosto de imaginar o reverso da medalha: os dias em que não há a luz do dia. Gosto muito do Sol e esse, sim, seria um problema. Tal como a flor que tem o mesmo nome, também eu preciso de sol para me sentir viva e bem disposta.
Recordações felizes…
Que saudades…
domingo, dezembro 12, 2010
Feliz Natal - Amigo Secreto 2010
Bom, mas tudo isto para agradecer à minha nova
Neyme, muito obrigada e um grande beijinho deste lado do oceano, na certeza de que estará sempre presente na minha cozinha e na minha estima.
domingo, dezembro 05, 2010
Exposição no CAC - Sete Sóis Sete Luas
Mais uma exposição no CAC de Ponte de Sor, e também, mais uma vez, de
um artista italiano ligado ao Sete Sóis Sete Luas.
Paolo Grigò já esteve na cidade há seis anos, aquando da colocação da Porta do Sol, no antigo Largo da Feira, hoje transformado num amplo espaço com dois lagos e respetivos repuxos, um local onde as crianças têm espaço para brincar e onde se pode passear calmamente.
No dia 1 dezembro, há precisamente 4 dias, enquanto passeava com o Zico, ao passar perto da Porta do Sol, tive a oportunidade de ver o artista a trabalhar e até trocar algumas palavras. Daí que possa falar da sua simpatia.
Hoje, na inauguração da exposição, compreendi, finalmente, a razão por que aquela escultura, a Porta do Sol, foi colocada naquele espaço e o seu significado.
Do artista, Paolo Grigò, além da minha própria opinião de ser uma pessoa simpática, nada como aqueles artistas de “nariz impinado”, que trabalhou num workshop com alunos de uma turma de 5º ano da nossa escola, num ambiente agradável, sabe-se que “é diplomado pelo Istituto Statale D'Arte di Cascina; prosseguiu os seus estudos frequentando o curso académico de gravura, retrato e nu. Sendo seu pai, escultor, também contribuiu para aprender as técnicas desta disciplina.
A sua carreira artística começou em 1971, tendo participado em exposições colectivas, nacionais e internacionais. Desde o início, a partir da década de setenta, até à sua última apresentação, mostra-nos como a reflexão do artista é orientada para os temas da atualidade: paz, democracia, a integração entre as culturas.
O percurso artístico de Grigò nunca foi separado dos eventos sócio-políticos, da problematização do papel da cultura e do progresso intelectual da sociedade civil. O trabalho de Grigò conhecido internacionalmente, interpreta o momento histórico com a consciência do drama da humanidade.
Realizou importantes exposições individuais de pintura, escultura e gráfica em Itália, França, Portugal e Estados Unidos da América. Grigò ilustrou livros de poesia, criou capas de revistas e livros. Muitas das suas esculturas estão em edifícios públicos, igrejas e praças italianas, em Portugal, Cabo Verde, França e Espanha.” (retirado aqui)
Da sua exposição, estes são os trabalhos que prefiro, talvez pelas cores quentes, tal como ele próprio diz, as cores do Alentejo. Estas imagens não fazem jus ao trabalho de Paolo Grigò, por isso aconselho a que visitem o CAC de Ponte de Sor e vejam com os vossos próprios olhos.
Nido con Carte, 2010
Danza con Kimono, 2010
quarta-feira, novembro 24, 2010
Fiz greve!
“Cortes salariais. PS e PSD admitem exceções nas empresas públicas”
Cortes de salários na Função Pública podem não ser para todos. A proposta do PS que prevê a possibilidade de exceção dos trabalhadores das empresas públicas foi aprovada com os votos do PS e abstenção do PSD (in ionline)
“ TODOS OS ANIMAIS SÃO IGUAIS, MAS ALGUNS SÃO MAIS IGUAIS QUE OUTROS.”, George Orwell
A política ( e quem a serve) mete nojo!!
Por que não me admiro com o que está a acontecer?
Não é por nada, mas… I told you so!*
Admirar-me-ia se assim não fosse.
*private joke
Afinal não sou a única a sentir nojo da política. No Profblog o assunto já tinha sido mencionado:
“Enojam-me estes políticos. Aprovado regime de excepção aos cortes salariais”
domingo, novembro 07, 2010
Já passou um mês e… voltaríamos a Bucareste
Há um mês, a esta hora, já andava nas ruas de Bucareste.
As pessoas são amáveis, simpáticas, prestáveis, o que acaba por camuflar um pouco a falta de eficiência, talvez devido à falta de uma indústria de turismo mais desenvolvido. Porém, com um pouco de boa vontade, tudo se ultrapassa e as coisas correram todas muito bem.
É certo que, durante o tempo que por lá andámos, não conseguimos ir a todos os lados da cidade e, como sempre acontece, ficamos com a ideia de que, se pudermos voltar, ainda teremos muita coisa para ver. Mas gostámos do que vimos.![]()
É uma cidade que mostra bem que, tal como todo o país, também se encontra em reconstrução, depois de tudo o que passou, durante 50 anos, até 1989. E mostra também, todo o sentimento de magalomania que imperava em quem governava o país na altura: Nicolau Ceauşescu. Os palácios são monstruosos na sua enormidade e luxo; os teatros, ainda que discretos na sua presença nas ruas, ostentam uma grandiosidade fora do comum, para um país que passou tanta fome e privação; as igrejas, essas, são uma presença constante em cada rua que entramos e, se no exterior todas parecem iguais, por dentro nota-se a devoção de todo um povo que, se antes não podia manifestar-se, agora faz o sinal da cruz (ao contrário da nossa) sempre que passa próximo de uma, nem que seja no passeio do outro lado da avenida.
Neste momento, por coincidência, acabou, na SIC, um programa sobre os ciganos romenos e nem dá para imaginar a sensação que é saber mais um pouco da realidade do país que pisei há tão pouco tempo. Durante a semana que lá estivemos, vimos, muito de passagem, alguns ciganos. Mas não deu sequer para pensar que algum deles poderia ser daqueles que foram reenviados pelo governo francês. Este programa foi muito interessante. E ainda por cima, deu para perceber, perfeitamente, a semelhança entre as duas línguas. Não admira, pois, que quem venha para o nosso país, aprenda a falar português com grande facilidade. Quanto aos alunos que têm passado pela nossa escola, só podemos dizer bem. Não é à toa que foi mencionado o nível muito elevado na formação/educação na Roménia, como, aliás, pudemos também comprovar na escola que visitámos, e onde trabalhámos, em Galaţi.
Como é que um povo pôde viver (e ainda vive) na miséria, enquanto um homem se deu ao luxo de mandar construir um palácio para si e sua família – a Casa Poporului – destruindo, numa área enorme, milhares de casas, igrejas, um estádio de futebol, um mosteiro e dois hospitais. Hoje, para chegar ao local onde está construído, subimos uma avenida, que, para Ceauşescu, era os seus Champs Élysées… Na foto (1), apenas se vê uma das laterais da Casa Poporului e dá para imaginar como, na realidade, é a grandiosidade quando é visto de frente (2).
Para compreender bem o que é este lugar, o melhor é ver as fotos incríveis (aqui) , que foram tiradas numa visita que fizemos ao palácio, no nosso último dia em Bucareste.
Neste último dia já estávamos acompanhados de alguns colegas de outros países, bem como os seus alunos. O nosso colega romeno (e amigo já há 6 anos, desde um curso Comenius em Norrköping, Suécia), Romeo Zamfir, serviu de cicerone pela cidade, o que facilitou um pouco as coisas. Mais tarde chegaram os outros parceiros e o grupo ficou completo e pronto para viajar, de camioneta, para Galaţi.
Deixo aqui algumas fotos que, por alguma razão ou outra, acho importante partilhar.
Alunos e professora da Turquia e alunas norueguesas Fui adoptada (mesmo!!!) pelas alunas turcas (se calhar por causa do tamanho)
Jardim à frente da Casa Poporului e Praça Constittutiei Grâdina Cişmigiu
Grâdina Cişmigiu
Os amigos turcos encontraram Ataturk na Roménia Qualquer semelhança é pura coincidência…
“-Foram todos para aquele lado…” (ai estes profs…) Japoneses… roam-se de inveja!
Seguir-se-ão novos postes… num blog próximo de si!
domingo, outubro 31, 2010
Conferência PROALV 2010
No dia 28, em representação da nossa escola, eu e uma amiga, participámos na Conferência de Valorização 2010, Uma Vida a Aprender, que aconteceu no Palácio Conde d’Óbidos, em Lisboa, promovida pela Agência Nacional para a gestão do Programa de Aprendizagem ao Longo da Vida.
Foi uma oportunidade de partilhar momentos com pessoas que, tendo o mesmo espírito de aventura, a mesma vontade de fazer mais alguma coisa do que simplesmente dar aulas, a vontade de partilhar o nosso país, a nossa cidade, a nossa escola, e de incentivar os nossos alunos ao conhecimento da restante Europa que os rodeia, estiveram no mesmo lugar para partilhar todas essas experiências e todas as boas práticas exercidas em cada uma das instituições presentes.
Poderia dizer-se que seria mais um daqueles encontros como tantos outros a que já assistimos, mas, de facto, até nem foi. O local escolhido, a forma como foi organizado , as pessoas presentes, tornaram o dia diferente e muito agradável.
Não estavam presentes apenas Escolas Básicas ou Secundárias, mas também representantes de várias Instituições do país, como seja, entre outros, o Professor da Esc. Sup. de Educação – Instituto Politécnico de Setúbal, a Coordenadora Institucional Erasmus da Universidade de Coimbra, o Coordenador do Projeto de Mobilidade Leonardo Da Vinci (Gestor da Empresa de Inserção na Associação de Reabilitação e Integração Ajuda_ARIA) e a Técnica Superior na Direção de Serviços de Relações Internacionais do Gabinete de Estatística e Planeamento da Educação (GEPE). Ah! e não posso esquecer a presença dum “jovem” de mais de 70 anos que, depois de reformado, se iniciou nestas andanças. Refiro estas pessoas, por termos participado na mesma mesa redonda – Mobilidades.
Por incrível que pareça, e tendo em conta a diversidade de Instituições, bem como os projetos e temas apresentados, é engraçado como as reações, dos colegas dos estabelecimentos, se mostram semelhantes, perante o facto de haver quem goste de participar nas Parcerias, nas Visitas de Estudo do Programa Transversal, nos Cursos de Formação Contínua… “Lá vão eles passear” parece ser a frase preferida de todos, sem terem em conta o trabalho despendido ou o que de bom, para todos os alunos e professores, daí advém.
Durante o dia, as conversas eram como as cerejas e os temas iam deslizando de uns para os outros, com a maior das facilidades. Tal como acontece em cada Encontro Comenius, o informal instalou-se e a partilha do que cada um tem vivido aconteceu durante as sessões, durante o almoço e até dos coffee break.
Houve ainda a Cerimónia de entrega do Prémio do Selo Europeu a uma escola do norte, que desenvolveu um projeto, que teve a finalidade de combater a escolha de uma única língua – o inglês – no secundário, e a elaboração conjunta, entre as disciplinas de História e Francês, de um trabalho sobre a nossa História, mas apenas em francês. Achei uma iniciativa muito interessante, válida e muito bem premiada, tendo em conta que, cada vez mais, os alunos escolhem a língua espanhola quando iniciam o 3º ciclo, em detrimento da língua francesa. Eu sei o que isso é, pois, apesar de ser professora de Francês, há muitos e muitos anos que só ensino o Português.
Para finalizar, foi-nos oferecido um momento para ouvir, com uma orquestra de crianças de várias etnias, que aprendem música sem pensarem nas diferenças nem na exclusão social que tanto se fala, não esquecendo 2010 - Ano Europeu do Combate à Pobreza e Exclusão Social.